
A esterilização é a forma mais eficaz e humana de contribuir para minorar o sofrimento dos animais de companhia.
A maior parte do sofrimento dos animais de companhia é, de longe, resultado da sua superpopulação, situação que leva a que todos os dias cães e gatos sejam vítimas de abandono, maus-tratos, morte por atropelamento e abate nos canis e gatis municipais portugueses.
Combater esta triste realidade está nas mãos de todos nós, evitando que os nossos animais de companhia se reproduzam e educando os nossos vizinhos e conhecidos para a importância da esterilização.
A esterilização não só combate o trágico sofrimento associado à superpopulação de cães e gatos, como também aumenta a esperança de vida dos animais e elimina ou reduz os comportamentos incomodativos associados ao cio nas fêmeas e à marcação de território nos machos.
Esterilização e SuperpopulaçãoA superpopulação de animais de companhia, ou seja, a existência de um número muito mais elevado de animais do que de famílias dispostas a acolhê-los, tem como consequência o sofrimento e extermínio anual de muitos milhares de animais em Portugal. Esta situação não se resolve com mais albergues para animais nem com mais campanhas de adopção. O problema tem de ser atacado pela raiz: educando as pessoas para que impeçam que os animais se reproduzam e para que os esterilizem.
Os cães e os gatos foram seleccionados pelo Homem ao longo de milhares de anos para terem as características que hoje têm e tornaram-se dependentes de nós para sobreviverem. Nós, humanos, somos os únicos responsáveis pela superpopulação de animais de companhia e temos o dever de resolver este problema que nós próprios criámos.
A magnitude do problema da superpopulação explica-se em parte pelas elevadíssimas taxas de reprodução dos gatos e dos cães. Segundo a WSPA (Sociedade Mundial Para a Protecção dos Animais), uma única cadela, com uma vida reprodutiva de 6 anos, poderá dar origem a 6000 descendentes; uma gata, em apenas 2 anos, poderá deixar 2000 descendentes.
A esterilização é a forma mais eficaz de lutar contra o gravíssimo problema da superpopulação de animais de companhia e os inúmeros problemas associados — um círculo vicioso de reprodução irresponsável, negligência, abandono, maus-tratos, morte por atropelamento e abate em canis/gatis municipais.
A forma como o Estado e os Municípios lidam com o problema consiste em abater os animais que ninguém quer, uma solução que, além de desrespeitar em absoluto a dignidade dos animais, é completamente ineficaz. De acordo com um relatório de 1990 da Organização Mundial de Saúde, "a remoção e abate de cães nunca deverá ser considerada a forma mais eficaz de lidar com um problema de excesso de população de cães na comunidade: não tem efeito sobre a causa raiz do problema, que é a sobre-reprodução dos cães". O mesmo relatório conclui que "a longo prazo, o controlo da reprodução é de longe a estratégia mais eficaz de gestão da população canina".
A Triste Realidade PortuguesaEm Portugal, a população de cães e de gatos cresce descontroladamente dia após dia, e o problema não se resume somente aos animais que já estão nas ruas. Este aumento é determinado não só pela reprodução descontrolada dos animais de rua, mas também pelo acasalamento irresponsável dos animais ao cuidado de alguém. São muitas as ninhadas que são abandonadas no meio de algures e nenhures, sendo que os filhotes que sobreviverem irão gerar mais e mais animais que terão um destino incerto. Muitas são ainda as pessoas que permitem que os seus animais passeiem sozinhos, não tendo nenhum controlo sobre os acasalamentos. E a história repete-se vezes sem conta: gestação indesejada, ninhada abandonada e mais cães e gatos nas ruas.
Infelizmente, por maior que seja o nosso esforço, são muito poucos os animais que nascem com a sorte de conseguirem um bom lar (são muitos mais os animais do que os lares para os acolher). Milhares de animais são sacrificados todos os anos em canis e gatis municipais, simplesmente porque ninguém os quer. A grande maioria dos animais que são mortos não são idosos, não estão feridos, não estão doentes nem são anti-sociais. Muito pelo contrário, são jovens, bonitos, dóceis e brincalhões. Outro lado desta negra realidade são os milhares de animais que morrem todos os anos devido a abandono, negligência, atropelamento, abuso, temperaturas extremas, maus-tratos e/ou fome.
As associações portuguesas de abrigo a animais sentem-se elas próprias impotentes para dar resposta ao problema da superpopulação de animais de companhia, pois encontram-se (na sua esmagadora maioria) sobrelotadas e sem condições para acolher mais um animal que seja.
Não será mais racional e humano evitar-se o nascimento de tantos animais? A esterilização é a forma mais eficaz de combater este problema pela raiz, evitando que nasçam ainda mais animais, apenas para morrerem depois de muita dor e sofrimento. Neste momento existem centenas de milhar de animais em Portugal que esperam ansiosamente a oportunidade de terem uma família. Não faz nenhum sentido deixar nascer ainda mais animais sem que tenhamos antes ajudado aqueles que já estão nas ruas ou nos abrigos e nos canis e gatis municipais a aguardar a possibilidade de terem uma família.
Efeitos da Esterilização no ComportamentoNormalmente, a esterilização tem um efeito bastante positivo no comportamento dos animais, deixando-os mais calmos. A esterilização contribui para diminuir os comportamentos sexualmente dimorfos (os comportamentos típicos que distinguem o macho da fêmea numa determinada espécie, como a marcação com urina, por exemplo), mas não altera normalmente nenhum outro comportamento. A esterilização não produz nenhuma alteração significativa na personalidade do animal e os cães esterilizados têm o mesmo instinto de guarda e protecção que os não esterilizados.
Do ponto de vista de uma família, a esterilização torna normalmente os animais muito mais adequados para ter em casa, uma vez que os comportamentos associados ao cio (nas fêmeas) e à marcação de território com urina (nos machos) desaparecem ou são minorados. Do ponto de vista dos animais, a esterilização é também bastante benéfica, pois deixa-os mais calmos — para os animais não-esterilizados, pode ser um verdadeiro terror psicológico experimentar os fortes estímulos para acasalamento sem consumar uma relação sexual.
Alterações no Comportamento de Machos* Diminui a agressividade para com outros machos (agressividade relacionada com a presença de fêmeas ou competição por fêmeas).
* Diminui a marcação de território com urina (particularmente problemática no caso dos gatos).
* Diminui o "montar" noutros animais ou em pessoas.
Alterações no Comportamento das Fêmeas
* Deixam de ter cio, o que elimina o típico comportamento de "choro" durante a época de acasalamento.
* Pode contribuir para aumentar a agressividade de algumas cadelas, sobretudo se já forem agressivas.
A esterilização poupa aos animais reacções instintivas e "stress" relacionados com o desejo sexual, tornado-os mais tranquilos. Os animais esterilizados têm menos tendência a fugir, levando por isso uma vida mais segura, longe dos inúmeros perigos da rua. Diminui assim o risco de contraírem doenças venéreas transmitidas pelo acto sexual ou ainda doenças transmitidas por mordidas de outros animais. E diminui assim também o risco bem real de atropelamento, que diariamente leva à morte de centenas de animais.
Referências:James O’Heare, The Effects of Spaying and Neutering on Canine Behavior. 2003. International Institute for Applied Companion Animal Behavior
Margaret V., Root Kustritz. Determining the optimal age for gonadectomy of dogs and cats. Journal of the American Veterinary Medical Association. 1 de Dezembro de 2007, Vol. 231, N.º 11, Pág. 1665-1675Efeitos da Esterilização na SaúdeA esterilização aumenta a esperança de vida dos animais, não só por vantagens directas em termos de saúde, mas também por vantagens indirectas consequentes de o animal ficar mais calmo e menos propenso a vaguear, fugir ou lutar com outros animais (por exemplo, diminui o risco de contrair doenças sexualmente transmissíveis, diminui o risco de doenças transmitidas por mordeduras de outros animais e diminui o risco de atropelamento). Para além de outros motivos que são boas justificações para a esterilização (nomeadamente o controlo populacional e as vantagens comportamentais), a saúde também tem normalmente a ganhar com a esterilização, especialmente no caso das fêmeas.
Vantagens Para a Saúde
* Nas fêmeas, a maior vantagem de saúde da esterilização é a redução da probabilidade de desenvolvimento de tumores mamários. O tumor mamário é o tipo de tumor mais comum nas cadelas, com uma taxa de incidência de 3,4%, dos quais aproximadamente 50% são tumores malignos. Nas gatas, o tumor mamário é o terceiro tumor mais comum, com uma taxa de incidência de 2,5%, dos quais mais de 90% são malignos.
As fêmeas esterilizadas antes do primeiro cio têm uma probabilidade praticamente nula de desenvolverem tumores mamários. As fêmeas esterilizadas depois do primeiro cio têm apenas 0,3% de probabilidade de desenvolverem tumores mamários e as esterilizadas após o segundo cio têm 0,9% de probabilidade de desenvolverem tumores mamários. Mesmo uma esterilização tão tardia como aos 9 anos, ainda reduz a incidência de tumores mamários.
* Nas fêmeas, outra vantagem muito significativa deve-se ao facto de a esterilização evitar a piometra. A piometra é um processo inflamatório do útero que é bastante comum e com maior incidência em fêmeas de idade mais avançada. Embora exista tratamento para a piometra (o tratamento inclui a esterilização), se a doença não for detectada e tratada a tempo, poderá conduzir à morte do animal.
* Nas fêmeas, a esterilização elimina a possibilidade de desenvolvimento de tumores no ovário ou no útero, uma vez que estes órgãos são retirados na ovariohisterectomia. Contudo, estes tipos de tumores são raros e, se forem detectados, a esterilização é normalmente curativa.
* Nos machos, a esterilização elimina a possibilidade de desenvolvimento de tumores nos testículos, que são o segundo tipo de tumor mais comum nos cães. Contudo, a malignidade deste tumores é baixa e a esterilização é normalmente curativa.
* Nos cães e cadelas, a esterilização diminui a incidência de fístulas perianais. As fístulas perianais são lesões crónicas da pele que afectam a zona do ânus.
Desvantagens Para a Saúde
* Nos cães macho esterilizados, a probabilidade de desenvolvimento de tumores na próstata é cerca de 2 a 4 vezes superior à probabilidade nos não-esterilizados. Os tumores prostáticos afectam entre 0,2% a 0,6% dos cães e são quase sempre malignos.
* Nos cães e cadelas esterilizados antes de 1 ano de idade, a probabilidade de desenvolvimento de osteossarcoma é aumentada. Trata-se de um cancro com uma taxa de incidência de 0,2% e que afecta sobretudo cães de maior porte.
* Nos cães e cadelas esterilizados, a probabilidade de desenvolvimento de angiossarcoma é aumentada. Trata-se de um cancro com uma taxa de incidência de 0,2%.
* Nos cães e cadelas esterilizados, a probabilidade de desenvolvimento de tumores no tracto urinário é cerca de 2 a 4 vezes superior à dos não-esterilizados. Este tipo de tumores representa menos de 1% dos tumores malignos que afectam os cães.
* Nos cães, cadelas, gatos e gatas esterilizados, o risco de desenvolvimento de infecções urinárias é aumentado comparativamente com os não-esterilizados.
* Nos cães e cadelas esterilizados, o risco de sofrerem de hipotiroidismo é aumentado, contudo, esta situação é facilmente tratável.
* Nas cadelas esterilizadas, o risco de desenvolvimento de incontinência urinária é significativamente aumentado, sendo superior para cadelas esterilizadas precocemente (antes dos 3-5 meses) e para cadelas de peso elevado (superior a 20 kg). Contudo, na maioria dos casos, a incontinência urinária é facilmente resolúvel com tratamento.
* Nos cães, cadelas, gatos e gatas esterilizados, o risco de obesidade é maior (o que está relacionado com o facto de os animais ficarem mais calmos), mas esta situação é muito facilmente controlável adequando a quantidade de ração às necessidades energéticas do animal.
Embora a esterilização também possa implicar um aumento no risco de certo tipo de doenças, a vantagem resultante da diminuição no risco de outras doenças mais graves e mais comuns supera normalmente esse risco. No caso de cães macho, os estudos sugerem que os prejuízos podem ser superiores aos benefícios de saúde, especialmente se os cães forem esterilizados precocemente, sendo por isso recomendável aguardar que o cão atinja a maturidade (mais de 1 ano de idade) antes de o esterilizar.
Para mais informações sobre a adequabilidade da esterilização ao seu animal, a melhor altura para a esterilização e as vantagens e desvantagens (que podem variar de acordo com a espécie, idade, porte, sexo e raça do animal), consulte o seu médico veterinário.
Referências:
Margaret V., Root Kustritz. Determining the optimal age for gonadectomy of dogs and cats. Journal of the American Veterinary Medical Association. 1 de Dezembro de 2007, Vol. 231, N.º 11, Pág. 1665-1675
Laura J. Sanborn, M.S. Long-Term Health Risks and Benefits Associated with Spay/Neuter in Dogs. 14 de Maio de 2007
Ru G., Terracini B., Glickman L.. Host related risk factors for canine osteosarcoma. Julho de 1998. Vet J. 156(1):31-9.
Fonte:http://www.esteriliza-me.org/